Prestes a adormecer, sem abrir os olhos, sentiu que uma formiga percorria-lhe a face. Mas o caminhar de uma formiga, pensou, percebido apenas pelo contato com a fina pele da maçã-do-rosto, poderia muito bem ser idêntico ao movimento de uma pequena joaninha. As patinhas de uma joaninha em deslocamento, continuou, poderiam, sem dúvida, causar impressão semelhante à que causariam as perninhas de um filhote de barata. Por sua vez, os passos de uma minúscula barata não deveriam diferir em muito dos passos de uma versão média dela. E o andar de uma barata média, há de se concluir, facilmente se confundiria com o passeio de uma barata adulta. Mas como, dessa maneira, com os olhos fechados, seria possível distinguir entre o roçar dos seis pés de uma barata adulta e o das quatro patas, somadas à cauda (contabilizando, assim, cinco pontos de contato), de uma pequena lagartixa? E depois de mais alguns instantes raciocinando, ela decidiu, sensatamente, e já tremendo de medo, abrir os olhos. Mas era tarde: foi esmagada pela imensa pata de um elefante.
